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Posts Tagged ‘10 bienal do Mercosul’

Uma das mostras fará retrospectiva das nove edições realizadas desde 1997. Evento ocorre entre setembro e novembro

Os curadores Cristián G. Gallegos, Márcio Tavares, Gaudêncio Fidelis e Ana Zavadil na sede da Fundação Bienal do Mercosul, com o Guaíba aos fundos Foto: Guilherme Santos / Especial

Para destacar internacionalmente a relevância e a qualidade da arte da América Latina, a 10ª Bienal do Mercosul promete falar bastante em Hélio Oiticica, Oswald de Andrade, modernismos tardios, neobarroco, pós-colonialismo e mestiçagem. Serão apresentadas sete exposições, além de uma retrospectiva das nove edições, em espaços como Margs, Santander Cultural, Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, Usina do Gasômetro, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, Casa de Cultura Mario Quintana e Paço Municipal.

Teremos exposições com volume grande de obras e que farão articulações transversais entre elas e com o projeto educativo. Isso também deverá se expandir, pois queremos criar diálogos entre as mostras e os espaços da cidade – diz o curador adjunto, Márcio Tavares.

Segundo o curador-chefe, Gaudêncio Fidelis, o objetivo é criar uma Bienal cujas exposições façam sentido como um todo:

– Se formos bem-sucedidos, as pessoas poderão relacionar o que viram em uma exposição com outra que se completa.

Fora das mostras, uma novidade será a Escola Experimental de Curadoria, um programa voltado à formação de jovens curadores.

As exposições previstas

Confira o que está sendo preparado e comentários do curador-chefe, Gaudêncio Fidelis

Antropofagia Neobarroca
> Estruturada a partir do conceito de antropofagia de Oswald de Andrade e das diferentes formas como o barroco se desenvolveu na América Latina, destacará o colonialismo e as tensões entre cultura indígena e valores europeus.

“A antropofagia dá uma contribuição para os estudos pós-coloniais. Teremos aqui linhas de força que poderão resultar em uma mostra deslumbrante.”

O Cheiro na Arte
> Provocará o público a refletir sobre o olhar como sentido privilegiado da fruição artística. Para isso, o olfato foi escolhido como forma de explorar outras sensibilidades e apontar cegueiras históricas.

“Não será necessariamente uma exposição só de obras com cheiro, mas a disposição política é assinalar que o olhar, enquanto centro da construção visual do Ocidente e da canonização da produção artística, é limitado e se esgotou.”

Aparatos do Corpo
> Destacará a ênfase do corpo na arte da América Latina. Vestimentas e indumentárias servirão como mote para discutir questões da história da arte que envolvem derivação cultural, hibridismo, transnacionalismo e exotismo.

“Se no México a manifestação biográfica dos acidentes de Frida Kahlo em suas obras desencadeou certa ideia de nacionalismo, no Brasil a institucionalização da arte geométrica e conceitual se deu pela via do corpo com Lygia Clark e Hélio Oiticica.”

A Poeira e o Mundo dos Objetos
> Mostrará a presença da poeira como elemento artístico em obras ao longo da história. Junto ao programa educativo, esta exposição trabalhará com o público aspectos de uma pedagogia da memória.

“Apresentaremos questões mais etéreas sob o ponto de vista físico ou metafórico da poeira. Estamos descobrindo muitos artistas que fizeram obras extraordinárias ao longo dos anos.”

Marginália da Forma
> Com título inspirado nas ideias do artista brasileiro Hélio Oiticica, apresentará obras que foram excluídas da crítica e da história da arte e se mantiveram à margem dos interesses e dos sistemas de pensamento hegemônicos.

“Queremos trazer obras que fogem um pouco à norma, que não foram enquadradas em estilos ou correntes artísticas. São produções que escapam à formalização de classificações, e dão contribuições de outra ordem.”

Biografia da Vida Urbana
> Terá trabalhos e experiências artísticas que discutem e exploram os complexos processos de urbanização das cidades da América Latina. Nesse sentido, é uma exposição que se expandirá para a cidade por meio de diversas ações.

“As obras mostrarão como os artistas da América Latina deram conta do espaço público e da construção da urbanidade e como isto ultrapassa diversos momentos de criação artística.”

Modernismo em Paralaxe
> O modernismo artístico, enquanto movimento internacional, será tratado nos diferentes modos como se desenvolveu nos países da América Latina.

“Salientará os contextos e as circunstâncias em que cada obra surgiu como forma de apresentarmos uma visão revisionista sobre a contribuição dos diferentes modernismos, inclusive para tudo o que aconteceu depois nos anos 1960 até hoje.”

Casa das Bienais
> Retrospectiva com obras apresentadas nas nove edições com o objetivo de destacar a história da arte que a Bienal vem escrevendo desde 1997.

“Exposições constroem uma história. Esta retrospectiva é importante porque, ao longo das nove edições, acaba-se perdendo um pouco de vista a contribuição que a Bienal tem dado. Será uma oportunidade de se rever obras importantes.”

Fonte: ZH

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