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Espaço conta com teatro, biblioteca, bistrô, loja e galerias para exposições. No fim de semana, uma programação especial receberá os visitantes com música e espetáculos.

O Centro Histórico-Cultural Santa Casa (CHC) foi construído no espaço de oito casas geminadas da Rua Independência. Foto: Júlio Cordeiro/Agencia RBS

Um novo ponto de encontro com a história e a arte será inaugurado em Porto Alegre com o Centro Histórico-Cultural Santa Casa (CHC). O espaço abrirá suas portas para a comunidade na sexta-feira, a partir das 9h. Para dar início às atividades, foi organizada uma programação especial no final de semana com dança, teatro e música.

O CHC compreende três galerias para exposições, biblioteca, loja de souvenires, bistrô e um teatro com 290 lugares. Fora desses espaços voltados ao público, ainda há salas destinadas a abrigar e recuperar documentos e instrumentos médicos de mais dois séculos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Localizado na Rua Independência, o Centro Histórico-Cultural Santa Casa ocupa oito casas geminadas construídas na primeira década do século 20. A reforma foi iniciada em 2006 e teve um custo aproximado de R$ 13 milhões. Os recursos foram captados por meio de leis de incentivo à cultura estadual e federal.

 

Piso conta com vitrine que mostra escavação arqueológica de onde foi possível recolher louças e instrumentos do século 19. Foto: Júlio Cordeiro/Agencia RBS

 

A historiadora Vera Barroso, coordenadora do arquivo da instituição, conta que a demanda pelo espaço nasceu do esforço do complexo hospitalar em conservar sua memória:

– Há quase 30 anos a Santa Casa organizou uma equipe para trabalhar com a ideia de que seu acervo é um patrimônio histórico que precisa ser tratado e disponibilizado para a comunidade.

Fazem parte do acervo documental fotografias, jornais, utensílios médicos peças encontradas em escavações arqueológicas na área do CHC e registros de óbitos. Desde 2010, esse material se encontra no atual espaço, onde parte dos documentos está sendo recuperada com apoio de projetos da Caixa Econômica Federal e do BNDES. No entanto, só agora estão concluídas as galerias, a biblioteca, o teatro e as outras salas, espaços com os quais a instituição buscará estabelecer proximidade com a comunidade.

– Na reforma, procuramos quebrar um pouco do forte princípio de simetria das casinhas geminadas. Além disso, para abarcar todo o programa, fizemos a retomada de fundações, cavando para conseguirmos criar outro andar – conta a arquiteta Ceres Storchi, que coordenou a execução do projeto ao lado da colega Laura Hagel.

Espaço para arte

Alguns instrumentos da prática médica com valor histórico estão à mostra na exposição permanente do CHC. Foto: Júlio Cordeiro/Agencia RBS

 

Com um teatro de capacidade para 290 pessoas e duas salas destinadas a abrigar exposições temporárias, o Centro Histórico-Cultural Santa Casa (CHC) é mais uma opção cultural para artistas e público.

O processo de seleção para ocupação dos espaços está se dando a partir de editais públicos divididos nas categorias teatro, dança, música e artes visuais. Para todos, um importante critério de seleção é a capacidade do trabalho na formação de novas plateias.

As inscrições para espetáculos de teatro, dança e  música podem ser feitas até 10 de junho. Já para artes visuais, o prazo vai até 30 de junho. Regulamento, ficha de inscrição e anexos estão disponíveis na internet pelo endereço
centrohistoricosantacasa.com.br.

– A Santa Casa quer se colocar na comunidade como um espaço de prevenção e saúde. Quando alguém vem fazer um diagnóstico, pode aproveitar a ver um espetáculo ou visitar nossas galerias – aposta a historiadora Vera Barroso.

Vitrine para o Passado

Uma vitrine arqueológica no primeiro piso dá a ideia do valor histórico do local. Durante as escavações realizadas para a criação de um segundo andar, arqueólogos desenvolveram um trabalho em vários pontos do terreno. Agora, através de um vidro, o visitante pode ver um pouco das descobertas da equipe.

– Foram encontrados frascos da antiga botica da Santa Casa, louças dos farroupilhas, escovas de dente feitas de ossos, metais como antigas medalhinhas, entre outros – conta a coordenadora do arquivo, Vera Barroso.

Acredita-se que, antes da construção das casas geminadas em 1907, o espaço era usado para descarte de lixo da Santa Casa de Misericórdia. Por isso, o material encontrado deve ser relativo ao século 19. Abaixo do vidro, a temperatura é mantida constante para melhor preservar o espaço. Além disso, a iluminação interna garante a visibilidade para os visitantes.

As casinhas que marcam o início da Rua Independência eram usadas originalmente para aluguel. Os rendimentos eram destinados para a Santa Casa de Misericórdia.
– Praticamente toda a Rua Sarmento Leite era composta de imóveis da Santa Casa para aluguel – explica Vera.

Uma equipe trabalhou na recuperação do material encontrado, fazendo a higienização de peças e a colagem de louças e vidros. Parte do material encontrado pode ser visto na réplica de uma botica no segundo andar da exposição permanente do Centro.

Biblioteca pública

A biblioteca da instituição, que até pouco tempo era sediada no hospital Santa Clara, está de mudança para o CHC. Com a troca do espaço, há também uma novidade: além de livros para pesquisa médica, estarão disponíveis títulos de literatura adulta e infantojuvenil. São cerca de 6 mil volumes à disposição.

– A ideia é que as pessoas em trânsito possam vir até aqui, ler o jornal do dia ou a revista da semana. O espaço poderá ser usado por pacientes ou familiares de alguém hospitalizado. A vizinhança também poderá retirar livros para ler em casa – explica Vera Barroso, coordenadora do arquivo do CHC.

A biblioteca conta com sofás, poltronas e terminais para pesquisa. Outra sala do prédio também disponibilizará mesas e sinal de internet para visitantes usarem o Centro como local de estudo.

Apesar de estar abrigada dentro do CHC, que receberá visitantes nos fins de semana, a biblioteca não abrirá aos sábados e domingos.

Mostra histórica

Uma exposição permanente sobre a história da Santa Casa de Misericórdia chama a atenção do visitante logo na entrada do novo Centro Histórico-Cultural. Em dois andares protegidos por paredes de vidro, estão expostos painéis, réplicas arquitetônicas, fotografias, mapas, telas e instrumentos médicos que dão conta de narrar o desenvolvimento do complexo hospitalar e sua relação com a cidade ao longo do tempo. A roda dos expostos – onde as crianças eram deixadas por mães sem recursos – e uma botica estão entre as réplicas de destaque.

– No primeiro piso, mostramos uma Santa Casa prioritariamente assistencial, trabalhando no sentido de apoiar a população diante da doença e da morte. Já no segundo piso, está o perfil terapêutico, de ensino e pesquisa que a instituição adquiriu com o tempo. No século 19, esta área estava fora do núcleo da cidade, instalada num lugar alto porque se sabia que bons ares fazem bem saúde – conta Ceres Storchi, arquiteta e curadora da exposição.

Há ainda outras duas salas para exposições no CHC, mas são destinadas a mostras temporárias. Apenas uma delas estará ocupada desde a inauguração, recebendo uma homenagem em fotos, objetos e documentação pessoal ao doutor Rubens Maciel (1913 – 2004). O médico e professor natural de Santana do Livramento se tornou um dos grandes nomes de sua área no país, tendo destacada trajetória no desenvolvimento de práticas de ensino da Medicina.

Serviço

Endereço:
 Independência, 75 (entrada pelo acesso principal da Santa Casa – primeiro prédio à direita do pórtico), fone (51) 3214-8255.

Abertura sexta-feira.

Funcionamento 
de terça a domingo, das 9h às 18h. Bistrô e loja funcionarão diariamente das 9h às 21h.

Programação especial de abertura: sexta, às 20h, apresentação do Grupo de Danças Açorianas Rancho Folclórico da Caergs; sábado, às 20h, espetáculo teatral O Monstro de Olhos Verdes; e domingo, às 18h, show do grupo instrumental Quartchêto.

Entrada franca: retirada de senhas na recepção do Centro Histórico-Cultural a partir de sexta-feira até uma hora antes de cada espetáculo.

Onde estacionar: no local, a partir de R$ 7 (R$ 1 por hora excedente).

Fonte: Zero Hora e Defender

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