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Exposição com artistas não representados pela galeria, “Tohu Wa-Bohu” reúne trabalhos que lidam com a força plástica das leis naturais

 

 

Foto: Anderson Astor / Divulgação

 

As leis da natureza incidindo como força invisível em situações de limite e tensão. “Tohu Wa-Bohu” apresenta obras criadas no embate com os fenômenos físicos. A  exposição da Bolsa de Arte voltada a nomes não representados pela galeria reúne Túlio Pinto, Martha Gofre e o grupo Ío, formado por Munir Klamt e Laura Cattani. São artistas com diversas exposições, prêmios, projetos e residências realizadas nos últimos anos. Neste sábado (28/6), às 11h, eles promovem um encontro com lançamento de catálogo. A mostra segue até 11 de julho.

Tohu Wa-Bohu é uma expressão encontrada na Bíblia. Aparece em algumas passagens do Gênesis, referindo-se ao vazio e às ausências de tempo e forma que antecedem a origem. Aplicado à exposição, convida a pensar a relação do caos e da desordem com a criação artística.

São apresentados 12 trabalhos produzidos desde 2004 e que, reunidos, diluem zonas de distinção entre escultura, instalação, fotografia e performance. O ponto alto da exposição é evidenciar afinidades não imediatas entre os diferentes trabalhos.

Fotografia da série Intervalo, de Martha Gofre Foto: Martha Gofre/Divulgação

Na entrada da galeria, Túlio Pinto apresenta “Nadir # 7”, com uma grande lâmina de vidro que se mantém inclinada e estática por força de um sistema de cordas equilibrado pelo peso de duas pedras. Há tensão tanto no contraste de materiais rígidos e frágeis quanto no ponto de estabilidade da estrutura, que parece prestes a cair. Na produção de Túlio, são recorrentes os trabalhos em que coloca as coisas em estado de suspensão. É o que ele também faz em “Compensação # 3”, novamente com uma grande lâmina de vidro, que atravessa o interior de um cubo de aço vazado e se apoia na lateral de outro cubo, formando uma nova situação em equilíbrio.

A montagem da exposição favorece diálogos dessas obras de Túlio com as do Ío. Em “Princípios do Mundo: Nostalgia”, a dupla apresenta uma estrutura de vidro e aço presa à parede, por onde vazou uma considerável quantidade de chocolate branco, quando aquecido e líquido _ e que deixou corrimentos e acúmulos no chão antes de se estabilizar em forma sólida. Com um viés conceitual que recorre a diversos campos do conhecimento, a produção que Munir e Laura assinam conjuntamente sob pseudônimo Ío envolve processos que eles não dominam por completo e que os levam a explorar o acaso e a probabilidade. É o que se constata também na série de fotografias “Halo L”, em que registram uma ação no litoral. Na beira do mar, pedaços irregulares de vidro são encravados na areia, como que rasgando a água no movimento de quebra e ir e vir das ondas.

Esse viés de enfrentar as forças da natureza aparece nos trabalhos de Martha Gofre. No vídeo da performance “O Último Camelo”, ela tenta puxar por cima do peitoril de uma janela uma série de bexigas de água presas a sua cintura, às costas. Ao longo das repetidas tentativas de esforço para caminhar e, assim, erguer o peso do conjunto, alguns dos balões vão estourando. Novamente, há aqui na exposição a ideia de tensão, mas desta vez sem a busca de um ponto de equilíbrio ou estabilidade. Martha explora os limites e se condiciona às consequências. É o que se vê também na sua série “Intervalo”, uma sequência de fotos que mostra duas mãos segurando o que parece ser um rosário de gelo que vai se derretendo.

Além do chocolate e da água, respectivamente nos trabalhos do Ío e de Martha, o efeito das trocas térmicas, e a consequente implicação de tempo nas passagens entre estados físicos, aparece em uma das obras de Túlio. Produzida em sua residência no início do ano em Donetsk, no sudeste da Ucrânia, “Waiting Room” mostra duas fotos do que parece ser um bunker ocupado por cadeiras enfileiradas e alinhadas como soldados de um exército. Na primeira imagem, o conjunto de assentos está harmonicamente inclinado para o mesmo lado por conta dos blocos de gelo colocados como calços. Na segunda foto, as cadeiras aparecem na posição normal no solo, e as poças de água formadas no chão indicam que o processo de derretimento devolveu a estabilidade ao conjunto. Entre o primeiro e o último registro, passaram-se 18 dias.

De outra residência no Exterior, desta vez na Holanda, Túlio apresenta um trabalho para o qual elaborou uma espécie de escultura móvel e maleável formada por balões alaranjados com gás hélio. Ao ar livre, a estrutura está sempre em movimento. Túlio levou o trabalho para alto de um castelo e gravou um vídeo. Ao enquadrar uma paisagem formada por céu e horizonte, colocou os balões em frente à câmera e registrou uma espécie de movimento coreografado pelo efeito de flutuação na gravidade. Do ponto de vista da história da arte, que alimenta tantas colagens, pastiches e releituras contemporâneas, o trabalho remete a um dos grandes marcos artísticos da Holanda, a pintura de paisagem do século 17.

Reunindo obras aparentemente simples, mas com soluções complexas, a exposição “Tohu Wa-Bohu” apresenta um conjunto de trabalhos experimentais de artistas que concatenam o mundo físico em força plástica.

TOHU WA-BOHU
 Galeria Bolsa de Arte (Rua Visconde do Rio Branco, 365), em Porto Alegre. Fones (51) 3332-6799 e 3331-6459
De segunda a sexta, das 10h30 às 19h, e sábado, das 10h às 13h30. Até 11/7
Neste sábado (28/6), às 11h, os artistas promovem um encontro com lançamento de catálogo

Fonte: ZH

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